Qual o DNA inovador da sua empresa?

Qual o DNA inovador da sua empresa?

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06.agosto.2019 | por: Administrador

categorias Inovação

Qual o DNA inovador da sua empresa?

Por Felipe Padovan Bontempo

Há poucos anos os futuristas pregavam que se as empresas não mudassem radicalmente os meios de entregar serviços e produtos, elas estariam seriamente ameaçadas. Era um trabalho de persuasão! Muitos empresários e diretores ignoravam esta afirmação, pois acreditavam que já detinham a “chave do sucesso”. Mesmo que disséssemos que o que levou as atuais empresas ao crescimento não mais seria o que as levariam a serem úteis no futuro, isso soava aos ouvidos de muitos como “papo de consultor maluco”!

Porém, desde 2018 percebo que não é mais necessário persuadir ninguém. Muitos empresários e dirigentes estão convencidos da necessidade de promover mudanças profundas em seu negócio. Muita gente tem batido na porta dos futuristas perguntando não mais se aquela tese tinha veracidade, mas perguntando como poderiam navegar no mundo da inovação como forma de sobrevivência.

É sobre “o que é inovar” e “para que” inovar que este artigo pretende conversar.

Primeiramente, é importante compreender que inovação nasce de dentro para fora, e por isso não existe uma fórmula mágica. Inovar não é um produto ou um processo, é um exercício! Não adianta uma empresa copiar o processo de inovação do concorrente. Para que a inovação seja genuína e permanente, é importante que a empresa ache o seu DNA inovador. E aí onde mora a principal ruptura do pensamento de empresas do século XX e do século XXI.

A intenção de inovar até pode ser genuína, mas se não houver um comprometimento de cima para baixo – do alto comando da empresa – todo o processo de criação e desenvolvimento será sabotado na largada. Preconceitos e hábitos arraigados inibem o exercício da imaginação e protegem suposições não declaradas sobre o que vai funcionar ou não. Sem o patrocínio da alta direção, possivelmente os projetos inovadores não ganham vida.

Para uma empresa achar o seu DNA inovador pode significar um processo árduo, doloroso e pode levar um tempo. Assim como nós indivíduos precisamos, em algum momento de nossas vidas, passar por um processo de reflexão sobre quem somos, para onde vamos e como vamos construir a nossa felicidade, as empresas que verdadeiramente desejam encontrar seu DNA inovador precisam ter a consciência que iniciar um processo de inovação pode levar um tempo sem que haja resultado concreto no balanço da empresa.

A boa notícia é que inovar é barato. É muito barato! Por esta razão que tanta startup tem emergido com baixíssimo investimento e tem construído soluções tão fantásticas.
Muita gente acredita que uma empresa inovadora deve criar um aplicativo ou implantar uma funcionalidade tecnológica no processo de entrega da empresa. Lamento afirmar, mas isso é um engano! Inovar é colocar o cliente/usuário no centro de tudo – das decisões.

Compreender para Inovar

É compreender que sua empresa existe para alguém. É compreender que este alguém (seu cliente) possui um problema e que sua empresa está verdadeiramente disposta resolvê-la da forma mais íntegra e humana possível. Para o cliente não importa qual sistema de gestão você usa ou qual barreira regulatória o governo imputa. Importa para o cliente que em algum lugar ou em algum momento o problema dele deve e será resolvido.

As empresas que conseguiram criar e potencializar seu DNA inovador são hoje as que estão liderando as transformações dos mercados. Estas empresas não entregam produtos ou serviços, elas entregam experiências. As empresas que colocam o cliente no centro das decisões projetam jornadas de compra e de relacionamento e aferem o nível da experiência do cliente. Usualmente estas empresas utilizam o melhor da criatividade e da tecnologia para, cada vez mais, projetar novas e melhores experiências para seus usuários – criando um ciclo virtuoso de inovação.

Amazon, Uber, Nubank e Auvo (startup goiana com forte crescimento) entendem que a inovação vem, primeiramente, do que é desejável pelo cliente. Depois, buscam a convergência entre o tecnologicamente possível e o financeiramente viável. Nestas empresas não há o que se falar em plano de negócio. Fala-se em construir soluções que vão cada vez mais a fundo nas necessidades humanas.

Otto Scharmer, na sua Teoria U, afirma em linhas gerais que tudo o que era simples para resolver a humanidade praticamente já o fez. A razão de existir das empresas do século XXI passa agora por intervir em relações mais complexas – resolver problemas das quais pareciam impossíveis tempos atrás. Para tanto, não basta uma empresa ter tecnologia digitais, ela precisa ir a fundo no comportamento humano, no comportamento do seu cliente/usuário.

A empresa precisa aprender a criar suas próprias tecnologias humanas. Para tanto, uma empresa com DNA inovador precisa construir um nível de empatia profunda com o cliente. Somente entendendo a complexidade e ambiguidade do ser humano é que novas soluções podem ser desenvolvidas. Profissões como psicologia, antropologia e diversas habilidades humanas surgem como úteis no entendimento de novos problemas que surgem dos clientes/usuários.

É importante uma empresa, com a intenção de inovar, compreender que iniciar o processo de inovação é um caminho que se pode planejar onde e como começar, mas não há condições de saber onde terminará ou qual será o resultado. Empresas inovadoras estão frequentemente revisando seus planejamentos em espaços iguais ou inferiores a seis meses.

A Sacada

Tudo pode mudar com um novo insight ou uma pivotada. Imagine, portanto, se não há um forte patrocínio da alta direção ao ver projetos que demorem para demonstrar resultado no balanço, ou projetos que mudaram de escopo duas vezes no semestre?! Imagine se um projeto inovador esbarre em conflitos com um ou mais departamentos – algo muito rotineiro! O que quero dizer é que sem um patrocínio consciente da alta direção, os sabotadores da inovação logo colocam as asinhas de fora e tudo é queimado na largada.

E por que descobrir seu DNA inovador é necessário? Simplesmente para que sua empresa continue sendo relevante para alguém. Os dirigentes e empresários até podem conseguir produzir um produto diferenciado inicialmente, mas se não instalarem a cultura da inovação e revisarem seus processos criativos e de desenvolvimento, logo o que era um diferencial deixará de ser. Logo!

O mundo vive um mundo de incerteza e volatilidade. O volume de mudança e agilidade torna cada vez mais difícil criar previsibilidade. Projetar que sua solução ou empresa será útil daqui há dois anos é muito arriscado afirmar em tempo de complexidade, ambiguidade, incerteza e volatilidade (mundo VUCA). Prever futuros torna uma missão cada vez mais incerta.

O tempo que vivemos é de criar/projetar futuros desejáveis e não mais seguir tendência. Existe um diferencial muito grande entre estes dois conceitos, vejamos:
Seguir tendência é saber para onde os grandes players estão navegando, o que os grandes gurus estão dizendo! É compreender quais são as novas ferramentas de gestão que estão surgindo.

Já criar futuros desejáveis é compreender que o poder de criar algo que ainda não existe está em suas mãos. Tecnologias digitais e humanas estão cada vez mais acessíveis para qualquer cidadão. O que antes era a função da P&D das grandes empresas, hoje qualquer micro-empresa consegue acesso a ferramentas bem interessantes. Construir futuros desejáveis é criar possibilidade jamais vivenciada anteriormente.

Soft’s Skills

Sendo assim, uma empresa que deseja construir o seu DNA inovador precisa liberar a sua capacidade criativa. Precisa ter em sua estrutura organizacional vazão para ideias e execuções rápidas. Precisa criar ambientes de confiança entre as pessoas. Precisa estimular o empreendedorismo interno nos colaboradores. Precisa criar pontes e conectores com stakeholders e outros players. Precisa criar ambientes seguros para errar nos protótipos sem denegrir a imagem da empresa. Precisa estimular diretrizes estratégicas e forte senso de propósito para não perderem o foco.

O primeiro passo que sedimenta as transformações corporativas e a criação de startups tem sido o Design Thinking. A mudança começa nas pessoas, afinal uma empresa é feita de pessoas para pessoas, não é verdade?! Portanto, são as pessoas os motores da transformação. O Design Thinking surge como abordagem estruturada de construção do pensamento para um nível mais livre na criação e focada na solução. Falaremos disso em outro artigo, para aguçar a curiosidade.

Felipe Padovan Bontempo – CIO da empresa PAX Domini em Goiânia

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